[Resenha Nacional] Depois a Louca sou eu

Título: Depois a Louca sou eu
Autora: Tati Bernardi 
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Páginas: 144
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Classificação: ✮✮✮✮

Sinopse: Tati Bernardi escreve sobre ansiedade de uma maneira inteligente e bem humorada.As crises de pânico, a mania de organização, os remédios tarja-preta e os efeitos da ansiedade em sua vida aparecem sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar e, sobretudo, humor. Tati consegue falar de um tema complicado, provocar gargalhadas e ainda manter o pacto de seriedade com o leitor. A capacidade de rir de si mesma confere a tudo isso distância, graça e humanidade. 





Todo mundo provavelmente quando vê o nome da Tati Bernardi já associa com contos bem humorados de amor, porém, nesse livro ela expõe suas crises de ansiedade e pânico através de relatos com uma boa dose de humor negro. O livro é bem curto, mas Tati consegue passar ao leitor como esse problema afeta suas tarefas do dia a dia, e como a ansiedade pode fazer com que tudo ao redor pareça com um monstro que está preste a te pegar. 

Para alguém, como eu, que sofre com os mesmo problemas da Tati e sempre tem que acabar recorrendo ao fiel companheiro tarja-preta, o livro é como se você tivesse lendo as próprias histórias. A autora tenta colocar de que apesar de todo o medo de ter que sair para enfrentar o mundo, ou de ter que cancelar os compromissos só para adiar o pânico, ela leva tudo de uma forma animada e não tem medo de expor seu problema e nem de recorrer aos remédios.

Em contrapartida para o leitor que nunca passou por alguma crise, pode não entender bem a proposta da autora, já que o relato dela detalha toda suas experiências e sintomas o que leva a alguém que nunca passou por isso não se identificar ou conseguir compreender como alguém pode passar tão mal de nervoso assim por causa de uma simples ida ao supermercado para comprar um melão.


"Minha primeira crise de pânico eu tive uma vez ao tentar acordar. Pensei: “vai começar tudo de novo. Só mais dez minutos. Mas já são dez da manhã. Preciso acordar. Mas vai começar tudo de novo”. Queria dizer que é o calor. Multidão. Gente esnobe. Gente sofrendo. Fritura. Frescura. Falta de assento. Falta de assunto. Pessoas que fazem jogos de palavras. Trânsito, fila, tudo caro,tudo demorado, tudo chato. Mas não é isso"

A escrita da autora é uma escrita fácil de entender, e colocada na forma de conversas normais que usamos diariamente. O livro é separado por contos, onde em cada um Tati traz uma situação que enfrentou por causa das crise, demonstrando  vários casos para termos conhecimentos de lugares, pessoas e remédios que a escritora vivenciou.

O livro é uma boa opção para quem tem conhecimento ou curiosidade sobre assunto, caso contrário se torna uma leitura confusa e que desperta pouco interesse ao leitor.

"É importante dizer que só viajo à noite e que, naquele dia, desde que acordo, tomo 0,5 mg de Rivotril sublingual a cada três horas. É importante dizer que dez dias antes de viajar, quando começo a sentir os sintomas de forma quase insuportável (e começo a pensar em seiscentas e setenta e oito maneiras de cancelar a viagem, pois só isso me acalma), já estou tomando 0,5 mg de Rivotril a cada seis horas. Então, meu amigo, quando apagam as luzes do avião e não há mais nada a ser feito, eu durmo como se pedras hibernassem."

E aí, vocês já leram? Gostaram?

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